Economia Archives - DatamarNews https://datamarnews.com/pt/category/economia/ East Coast South America Maritime and Logistics News and Analysis Thu, 09 Apr 2026 21:05:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://datamarnews.com/wp-content/uploads/2021/04/cropped-DTNews_favcom-32x32.png Economia Archives - DatamarNews https://datamarnews.com/pt/category/economia/ 32 32 Banco Mundial vê Argentina entre as economias de maior crescimento da região em 2026 e 2027 https://datamarnews.com/pt/noticias/banco-mundial-ve-argentina-entre-as-economias-de-maior-crescimento-da-regiao-em-2026-e-2027/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=banco-mundial-ve-argentina-entre-as-economias-de-maior-crescimento-da-regiao-em-2026-e-2027 https://datamarnews.com/pt/noticias/banco-mundial-ve-argentina-entre-as-economias-de-maior-crescimento-da-regiao-em-2026-e-2027/#respond Thu, 09 Apr 2026 21:05:42 +0000 https://datamarnews.com/?post_type=noticias&p=69122 O Banco Mundial afirmou que a Argentina se consolidou como uma das “exceções positivas” da América Latina e deve figurar entre as grandes economias com melhor desempenho da região neste ano e no próximo, à medida que os esforços de estabilização e as reformas melhoram as expectativas e as condições financeiras.

Na edição mais recente de seu relatório econômico para a América Latina e o Caribe, a instituição sediada em Washington informou que a economia argentina cresceu 4,4% em 2025 e deve avançar 3,6% em 2026 e 3,7% em 2027. Se as projeções se confirmarem, isso marcará um ponto fora da curva: segundo o relatório, a Argentina não registra três anos consecutivos de crescimento do PIB desde 2008.

“A economia argentina surgiu como a principal surpresa positiva, à medida que a estabilização e as reformas melhoraram as expectativas e as condições financeiras”, disse o Banco Mundial, destacando que as projeções para o país superam as taxas médias de crescimento previstas para a região, de 2,1% em 2026 e 2,4% em 2027.

Will Maloney, economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, afirmou que a projeção de crescimento da Argentina é um pouco menor do que a instituição esperava meses atrás, mas classificou a estimativa de 3,6% para 2026 como ainda forte para os padrões regionais. Ele também alertou para uma aceleração recente da inflação.

Maloney disse que as preocupações com a concorrência externa são compreensíveis em um cenário de abertura econômica, mas argumentou que uma maior integração pode ajudar as empresas a ganhar eficiência. Ressaltou, porém, que a região ainda tem relativamente poucas companhias operando na fronteira tecnológica. Com isso, avaliou, muitas empresas podem enfrentar dificuldades, enquanto ainda é cedo para saber quais novos negócios poderão surgir e gerar empregos.

O Banco Mundial atribuiu à consolidação fiscal conduzida pelo presidente Javier Milei parte do fortalecimento do programa econômico do país. O relatório cita a racionalização dos gastos públicos, o corte de ineficiências administrativas e a reformulação dos subsídios aos preços da energia, com foco em retirar benefícios das faixas de renda mais alta, como medidas que ajudaram a ancorar as expectativas de inflação e a reduzir o risco soberano.

A instituição também classificou a melhora da dinâmica fiscal argentina como outra “exceção” em uma região marcada por fragilidade fiscal e custo de financiamento mais elevado. O relatório destaca ainda a queda do risco-país e uma “agenda pró-crescimento”, mencionando a criação do regime de incentivos ao investimento RIGI e avanços em acordos comerciais, inclusive com os Estados Unidos.

Apesar do tom mais otimista em relação ao crescimento, o Banco Mundial alertou que a Argentina ainda enfrenta “riscos relevantes de baixa”, sobretudo ligados ao setor externo, ao endividamento e à entrada de dólares no país. O relatório destaca as necessidades expressivas de financiamento externo em um contexto de reservas internacionais líquidas negativas e acesso limitado aos mercados internacionais de dívida.

Na comparação regional, o Banco Mundial afirmou que a Argentina se destaca entre as maiores economias latino-americanas, embora projete expansão mais forte neste ano para alguns países menores, como Guiana (16,3%), Paraguai (4,4%), Suriname (4,0%) e Panamá (3,9%). Entre as demais grandes economias, as previsões são mais moderadas: Brasil (1,6%), Colômbia (2,2%), México (1,3%), Chile (2,4%) e Peru (2,7%).

Ao analisar o quadro regional mais amplo, o Banco Mundial atribuiu o crescimento relativamente fraco da América Latina a três fatores principais: custo elevado do crédito, associado às limitações fiscais; demanda externa enfraquecida; e pressões inflacionárias decorrentes da incerteza geopolítica mundial, que pesam sobre o investimento privado e a geração de empregos.

O relatório também apontou o que classificou como oportunidades estruturais para a América Latina, entre elas a participação da região nas reservas globais de lítio, seus recursos de cobre e uma matriz energética relativamente limpa, além de um impulso reformista que vem ganhando espaço em vários países. A instituição defendeu o avanço de políticas industriais e setoriais voltadas ao crescimento e ressaltou a importância de recompor a confiança empresarial, destravar o investimento privado e elevar a produtividade.

Segundo o Banco Mundial, a combinação de políticas recomendada inclui investimentos em educação, formação técnica e capacitação em gestão para reduzir lacunas de qualificação; ampliação do acesso ao financiamento para que empresas possam assumir riscos; fortalecimento da capacidade institucional para formular políticas capazes de identificar falhas de mercado; e aprofundamento da integração comercial para ampliar a competitividade. Nesse contexto, o relatório cita o acordo bilateral da Argentina com os Estados Unidos e os avanços no acordo entre Mercosul e União Europeia.

Reportagem original de Esteban Lafuente para o La Nación

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Exportações para o Oriente Médio caem 26% desde início da guerra https://datamarnews.com/pt/noticias/exportacoes-para-o-oriente-medio-caem-26-desde-inicio-da-guerra/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=exportacoes-para-o-oriente-medio-caem-26-desde-inicio-da-guerra https://datamarnews.com/pt/noticias/exportacoes-para-o-oriente-medio-caem-26-desde-inicio-da-guerra/#respond Wed, 08 Apr 2026 20:44:28 +0000 https://datamarnews.com/?post_type=noticias&p=69065 As exportações brasileiras para o Oriente Médio caíram 26% em março, primeiro mês da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o valor exportado para os 15 países da região recuou de US$ 1,2 bilhão em março de 2025 para US$ 882 milhões neste ano.

A queda atingiu principalmente produtos do agronegócio. A exportação de carne suína recuou 59%. As vendas de frango, principal item das exportações para o Oriente Médio, caíram cerca de 22%. As vendas de soja para a região diminuíram 25%.

Confira a seguir o panorama geral das exportações brasileiras de carne de frango aos países do Oriente Médio, segundo os dados obtidos pela Datamar.

Exportação de Carne de Frango para Oriente Médio | Jan 2023 – Fev 2023 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Segundo o diretor de Estatísticas da pasta, Herlon Brandão, ainda é cedo para medir todos os efeitos do conflito sobre o comércio internacional.

“Para fazer uma afirmação de que o conflito está afetando o fluxo [comercial], é necessário esperar um pouco mais”, disse Brandão.

No fim de março, o Brasil fechou um acordo com a Turquia para a passagem e o armazenamento temporário de mercadorias do agronegócio exportadas para o Oriente Médio e a Ásia Central. Os efeitos, no entanto, só começarão a aparecer na balança comercial de abril.

Petróleo

O destaque positivo das exportações brasileiras foi o petróleo. As exportações de óleo bruto avançaram 70,4% em valor, alcançando US$ 4,7 bilhões. Em volume, o crescimento foi de 75,9%.

Segundo o governo, ainda não é possível afirmar que a alta esteja diretamente ligada ao conflito, embora a guerra já tenha afetado cerca de 20% do comércio global de petróleo e elevado significativamente o preço do barril no mercado internacional.

Para os próximos meses, a expectativa é de queda nas vendas do produto. Para compensar parte dos subsídios ao diesel, o governo introduziu, em meados de março, uma alíquota de 12% sobre as exportações brasileiras de petróleo.

Impacto global

Além do Oriente Médio, outros mercados importantes também reduziram compras de produtos brasileiros em março na comparação com o mesmo mês do ano passado.

As exportações para os Estados Unidos caíram 9,1%, enquanto houve recuos de 10% para o Canadá e de 5,9% para a Argentina.

No entanto, as vendas para a China cresceram 17,8% no mês, reforçando o papel do país asiático como principal parceiro comercial do Brasil.

Resultados

Em relação aos Estados Unidos, o Brasil registrou déficit comercial em março, com exportações de US$ 2,8 bilhões e importações de US$ 3,3 bilhões. Já com a China, houve superávit de US$ 3,8 bilhões no período.

As exportações para a União Europeia cresceram 7,3%, enquanto para a Argentina houve queda nas vendas, mas manutenção de saldo positivo na balança.

O cenário reflete os impactos iniciais da guerra sobre o comércio global, com efeitos variados entre regiões e produtos, especialmente nas cadeias ligadas a energia e alimentos.

Apesar das quedas pontuais, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 6,4 bilhões em março. As exportações totais somaram US$ 31,7 bilhões, alta de 10%, enquanto as importações cresceram 20,1%, chegando a US$ 25,2 bilhões.

Fonte: Agência Brasil

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Agro paulista movimenta mais de US$900 milhões com mercado indiano em 2025 https://datamarnews.com/pt/noticias/agro-paulista-movimenta-mais-de-us900-milhoes-com-mercado-indiano-em-2025/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=agro-paulista-movimenta-mais-de-us900-milhoes-com-mercado-indiano-em-2025 https://datamarnews.com/pt/noticias/agro-paulista-movimenta-mais-de-us900-milhoes-com-mercado-indiano-em-2025/#respond Tue, 07 Apr 2026 20:28:34 +0000 https://datamarnews.com/?post_type=noticias&p=69037 A Índia é o segundo maior destino comercial do agro paulista para o mercado asiático, atrás apenas da China e o quarto colocado no ranking geral. De acordo com os dados levantados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura de São Paulo (SAA), em 2025, foram movimentadas cerca de 2 milhões de toneladas (t), o que representou um montante de US$906,5 milhões nas transações financeiras.

O produto mais encaminhado, com 76,8% de participação, ao país indiano foi o complexo sucroalcooleiro (US$696 milhões). Em seguida: o óleo de soja (US$89 milhões) e itens da indústria química de origem vegetal (US$33 milhões) respectivamente. “A excelência do agronegócio paulista reflete a profundidade e a complementaridade do comércio bilateral Índia-Brasil, que atingiu US$15,21 bilhões em 2025, com a agricultura sendo a base dessa relação e o principal motor de crescimento futuro, enquanto o estado de São Paulo se torna um exemplo claro desse potencial”, detalhou o Cônsul Geral da Índia, Hansraj Singh Verma.

Para o secretário da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de SP, Geraldo Melo Filho, a exportação do agro tem se consolidado pela diversidade e principalmente pela excelência, proporcionando uma expansão estratégica dos acordos comerciais. “Temos ampliado nossa presença no mercado internacional com produtos de qualidade e competitividade, fortalecendo parcerias e abrindo novas oportunidades de negócios. A Índia tem um papel importante neste cenário e mostra o potencial de crescimento das exportações paulistas na Ásia”, destacou o secretário, Geraldo Melo Filho.

Crescimento na exportação de algodão paulista no mercado indiano

O destaque dos produtos agrícolas, exportados à Índia, ficou por conta do algodão, com um crescimento exponencial que chegou a incrível marca de 160%, passando de 5 mil toneladas para 15 mil toneladas, em um intervalo de apenas um ano.

Confira a seguir os principais produtos exportados através do Porto de Santos – o maior de São Paulo e do Brasil – em direção à India. Os dados foram obtidos e processados pelo time de inteligência de negócios da Datamar:

Principais Exportações à India | Jan-Fev 2026 | TEUS

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

O CEO da VALIA Brazil, empresa especializada no comércio internacional de commodities e consultoria, Peter H. Burdzik, reforça não somente o potencial produtivo do Estado como a capacidade para atender às exigências do mercado externo. “Nos últimos anos, a produção paulista se consolidou como um fornecedor confiável para diferentes mercados. Ao mesmo tempo, é um mercado que muda rápido, então preço e questões geopolíticas acabam influenciando diretamente o ritmo das exportações”, afirmou o CEO Peter H. Burdzik.

A diretora executiva da Associação Paulista dos Produtores de Algodão – APPA, Marcella Wehrle, ressalta, principalmente, a expertise dos profissionais do setor como um diferencial do produto. “O conhecimento técnico dos produtores paulistas fortalece a competitividade e a sustentabilidade da cotonicultura. Esse conjunto posiciona o algodão paulista como referência em excelência no Brasil.  Essas características tornam o algodão paulista altamente competitivo e valorizado pela indústria têxtil”, disse Marcella Wehrle.

Fonte: Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo

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Balança comercial do Brasil registra superávit de US$ 6,4 bilhões em março https://datamarnews.com/pt/noticias/balanca-comercial-do-brasil-registra-superavit-de-us-64-bilhoes-em-marco/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=balanca-comercial-do-brasil-registra-superavit-de-us-64-bilhoes-em-marco https://datamarnews.com/pt/noticias/balanca-comercial-do-brasil-registra-superavit-de-us-64-bilhoes-em-marco/#respond Tue, 07 Apr 2026 20:06:16 +0000 https://datamarnews.com/?post_type=noticias&p=69054 A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 6,405 bilhões em março, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 7, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O valor foi alcançado com exportações de US$ 31,603 bilhões e importações de US$ 25,199 bilhões.

O resultado de março ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado financeiro apontada na pesquisa Projeções Broadcast, de superávit comercial de US$ 7,55 bilhões, após saldo positivo de US$ 4,208 bilhões em fevereiro.

As estimativas do mercado para esta leitura variavam de US$ 5,9 bilhões a US$ 8,5 bilhões.

Em março, as exportações registraram alta de 10% na comparação com o mesmo mês de 2025, com crescimento de 1,1% em Agropecuária, que somou US$ 8,256 bilhões; avanço de 36,4% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 7,359 bilhões; e, por fim, crescimento de 5,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 15,822 bilhões.

As importações subiram 20,1% em março ante igual mês de 2025, com queda de 10,2% em Agropecuária, que somou US$ 517 milhões; alta de 24,1% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 1,171 bilhão; e expansão de 20,8% em Indústria de Transformação, que totalizou US$ 23,347 bilhões.

Acumulado
De acordo com a Secex, a balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 14,175 bilhões no ano até março. O valor no primeiro trimestre foi alcançado com exportações de US$ 82,338 bilhões e importações de US$ 68,163 bilhões e é 47,6% maior do que no mesmo período de 2025.

No acumulado de 2026, comparado ao mesmo período de 2025, as exportações registraram alta de 7,1%, com crescimento de 2,4% em Agropecuária, que somou US$ 17,205 bilhões; alta de 22,6% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 20,816 bilhões; e, por fim, crescimento de 2,8% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 43,864 bilhões.

As importações subiram 1,3% de janeiro a março de 2026 ante o mesmo período de 2025, com queda de 19,9% em Agropecuária, que somou US$ 1,379 bilhão; queda de 7,4% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 2,772 bilhões; e, por fim, crescimento de 2,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 63,540 bilhões.

Fonte: Jornal de Brasília

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Guerra com o Irã eleva custos globais e pressiona cadeias de suprimentos https://datamarnews.com/pt/noticias/guerra-com-o-ira-eleva-custos-globais-e-pressiona-cadeias-de-suprimentos/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=guerra-com-o-ira-eleva-custos-globais-e-pressiona-cadeias-de-suprimentos https://datamarnews.com/pt/noticias/guerra-com-o-ira-eleva-custos-globais-e-pressiona-cadeias-de-suprimentos/#respond Mon, 06 Apr 2026 20:38:35 +0000 https://datamarnews.com/?post_type=noticias&p=68929 Fábricas em todo o mundo enfrentaram forte aumento nos custos de insumos e interrupções nas cadeias de suprimentos em março devido à guerra com o Irã, enquanto a demanda ainda fraca ameaça comprometer a frágil recuperação do setor manufatureiro, mostraram pesquisas.

O conflito tem desorganizado redes logísticas globais, causando atrasos nas entregas, elevando a inflação dos insumos e distorcendo indicadores de crescimento.

Os preços mais altos de petróleo e energia levaram os fabricantes a reagirem e aumentarem seus preços de venda.

Os índices PMI — normalmente um sinal de aumento da atividade — foram artificialmente elevados pelo choque de oferta, que prolongou os prazos de entrega, afirmou Chris Williamson, economista-chefe da S&P Global.

Esse foi o caso do índice da zona do euro. Já na Ásia, muitas economias registraram queda, sinalizando que o aumento dos custos de combustível e a incerteza gerada pela guerra com o Irã estão afetando a atividade.

O índice PMI industrial da zona do euro da S&P Global subiu para 51,6 em março, ante 50,8 em fevereiro, acima da estimativa preliminar de 51,4. Leituras acima de 50 normalmente indicam expansão.

“Embora a alta do índice geral seja, à primeira vista, surpreendente diante do novo choque energético global — especialmente porque a prévia apontava fraqueza no setor de serviços — o resultado agregado esconde diferenças relevantes entre os países”, afirmou Mariana Monteiro, do JP Morgan.

Alemanha e Itália registraram seus melhores resultados em 46 e 37 meses, respectivamente, enquanto a Espanha foi o único país em contração. A Grécia apresentou o maior índice, seguida pela Irlanda, enquanto a indústria da França ficou estagnada.

No Reino Unido, fora da União Europeia, as pressões de custo dispararam e os atrasos nas entregas — devido a navios evitarem o Estreito de Ormuz — atingiram o maior nível desde meados de 2022.

Pressão na Ásia

Os dados destacam o desafio enfrentado por formuladores de políticas na Ásia, região que compra cerca de 80% do petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz, tornando muitos países vulneráveis ao choque energético causado pela guerra. Em Manila, por exemplo, motoristas já enfrentam preços do diesel triplicados, enquanto um aperto no fornecimento de combustível de aviação se aproxima no Vietnã, e grandes empresas de cosméticos da Coreia do Sul buscam resina plástica em diversos mercados.

Na China, o setor manufatureiro cresceu pelo quarto mês consecutivo em março, embora em ritmo mais lento, com aumento das pressões inflacionárias e dos problemas na cadeia de suprimentos, segundo pesquisa privada.

O PMI industrial geral da China, medido pela RatingDog, caiu para 50,8 em março, ante 52,1 em fevereiro, abaixo da previsão de 51,6.

A atividade industrial desacelerou em economias como Indonésia, Vietnã, Taiwan e Filipinas, segundo outros PMIs, evidenciando os impactos do conflito no Oriente Médio sobre as empresas.

As fábricas japonesas também foram afetadas pela piora do ambiente de negócios e pela alta de custos, que atingiram o maior nível em 19 meses.

Reportagem de Jonathan Cable e Leika Kihara, para a Reuters.

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Exportações agroindustriais da Argentina atingem maior volume da década em jan-fev de 2026, diz governo https://datamarnews.com/pt/noticias/exportacoes-agroindustriais-da-argentina-atingem-maior-volume-da-decada-em-jan-fev-de-2026-diz-governo/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=exportacoes-agroindustriais-da-argentina-atingem-maior-volume-da-decada-em-jan-fev-de-2026-diz-governo https://datamarnews.com/pt/noticias/exportacoes-agroindustriais-da-argentina-atingem-maior-volume-da-decada-em-jan-fev-de-2026-diz-governo/#respond Fri, 27 Mar 2026 13:57:18 +0000 https://datamarnews.com/?post_type=noticias&p=68804 As exportações agroindustriais da Argentina atingiram um volume recorde da última década de 18,5 milhões de toneladas nos dois primeiros meses de 2026, alta de 8% em relação ao mesmo período de 2025, informou a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca, com base em dados compilados pelo instituto nacional de estatística INDEC.

O valor exportado totalizou US$ 7,595 bilhões, o segundo maior dos últimos 10 anos e 7% acima do registrado no mesmo período do ano anterior, com embarques para mais de 105 países, informou a secretaria.

Dos 54 “complexos” agroindustriais analisados — incluindo produtos primários e seus derivados — 26 registraram aumento em relação a 2025 e 12 alcançaram volumes recordes da década. Em termos de contribuição para o volume, os maiores avanços ocorreram em trigo (alta de 92%), cevada (32%), amendoim (13%), girassol (249%), pesca e aquicultura (14%), forrageiras (132%), açúcar (43%), lácteos (19%), apicultura (60%), outras oleaginosas como linhaça, gergelim, jojoba e cártamo (209%), produtos ovinos (38%) e ervas e especiarias (30%), segundo a secretaria.

Em janeiro de 2025, especificamente, o comércio marítimo da Argentina foi dominado pelas exportações de amendoins, cujos embarques totalizaram 4.968 TEUs. Este produto teve um crescimento de aproximadamente 15% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados de movimentação de contêineres obtidos pela Datamar.

Confira a seguir um compilado dos dados de exportação de amendoins em contêineres entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026:

Exportação de Amendoins | Argentina | Jan 2023 – Jan 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Um total de 169 produtos aumentou suas exportações em comparação com os dois primeiros meses de 2025. Entre as maiores altas estão sementes de girassol (6.354%), óleo de jojoba (722%), farinha de milho (288%), soja (270%), feijão seco (242%), gergelim (227%), sementes em geral (165%), óleo de amendoim (113%), óleo de girassol (99%), trigo em grão (94%), manteiga (86%), lã bruta tosquiada (63%), mel (60%), doce de leite (48%) e madeira serrada (33%), entre outros.

A secretaria destacou 36 produtos que não foram exportados em 2025, incluindo fios de algodão, carne de cabra, damascos, outras frutas secas e nozes, peras secas, preparações de morango, feijões silvestres, sementes de cártamo, malte torrado e bacon e gorduras suínas.

Entre os produtos com maior valor por tonelada em 2026 estão o óleo essencial de limão (US$ 29.718 por tonelada), suplementos alimentares (US$ 19.688), cavalos (US$ 16.780), carne bovina fresca ou refrigerada desossada (US$ 12.338), ovos líquidos (US$ 8.678), crustáceos congelados (US$ 7.243) e cortes congelados de carne ovina (US$ 6.071), informou a secretaria.

Em volume, os principais destinos foram Vietnã, Indonésia, Bangladesh, Arábia Saudita, Brasil, Argélia, Peru, Chile, Malásia e Marrocos, que juntos responderam por mais de 55% das exportações totais.

A secretaria informou ainda que está disponibilizando mapas interativos e painéis para acompanhar a abertura de mercados desde 2024, o posicionamento global da Argentina por produto e as tendências de exportação por complexo e destino.

Fonte: Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina

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Arrecadação do imposto de importação tem queda no 1º mês de aumento do tributo, diz Receita Federal https://datamarnews.com/pt/noticias/arrecadacao-do-imposto-de-importacao-tem-queda-no-1o-mes-de-aumento-do-tributo-diz-receita-federal/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=arrecadacao-do-imposto-de-importacao-tem-queda-no-1o-mes-de-aumento-do-tributo-diz-receita-federal https://datamarnews.com/pt/noticias/arrecadacao-do-imposto-de-importacao-tem-queda-no-1o-mes-de-aumento-do-tributo-diz-receita-federal/#respond Wed, 25 Mar 2026 17:33:38 +0000 https://datamarnews.com/?post_type=noticias&p=68709 O governo registrou uma queda real de 3,2% na arrecadação do imposto de importação no primeiro mês de aumento do tributo, informou a Secretaria da Receita Federal nesta terça-feira (24).

Segundo dados oficiais, a arrecadação com o imposto de importação somou R$ 7,17 bilhões em fevereiro deste ano quando parte do aumento do tributo entrou em vigor, contra R$ 7,4 bilhões no mesmo mês do ano passado. Os valores foram corrigidos pela inflação.

Controverso, o aumento do imposto para cerca de mil produtos importados teve por justificativa proteger a indústria nacional. A medida ganhou forte repercussão negativa nas redes sociais.

De acordo com a Receita Federal, a queda na arrecadação está relacionada o recuo de 1,24% no valor em dólar (volume) das importações e, também, de 9,8% na taxa média de câmbio.

Ou seja, com queda na quantidade de produtos importados e, também, no seu valor em reais (por conta do dólar mais baixo), a arrecadação também recuou — mesmo com o aumento do imposto.

O órgão lembrou que o somente parte do aumento do imposto de importação entrou em vigor em fevereiro, sendo o que o restante teve início no começo de março.

O Ministério da Fazenda informou, quando a medida foi anunciada, que esperava arrecadar R$ 14 bilhões a mais neste ano com a alta do tributo sobre as importações.

Nesta terça-feira, o Fisco confirmou que o valor ficará próximo desse número.

Questionado por jornalistas, o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, minimizou a queda na arrecadação. “Temos um ano pela frente”, declarou ele.

Fonte: G1

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Agronegócio brasileiro bate recorde de faturamento com exportações em 2025, mas 2026 começa sob incertezas https://datamarnews.com/pt/noticias/agronegocio-brasileiro-bate-recorde-de-faturamento-com-exportacoes-em-2025-mas-2026-comeca-sob-incertezas/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=agronegocio-brasileiro-bate-recorde-de-faturamento-com-exportacoes-em-2025-mas-2026-comeca-sob-incertezas https://datamarnews.com/pt/noticias/agronegocio-brasileiro-bate-recorde-de-faturamento-com-exportacoes-em-2025-mas-2026-comeca-sob-incertezas/#respond Tue, 24 Mar 2026 13:36:14 +0000 https://datamarnews.com/?post_type=noticias&p=68582 O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com novo recorde de faturamento nas exportações, mesmo em um ambiente marcado por tarifas impostas pelos Estados Unidos e por oscilações nos preços médios de venda. Levantamento do Cepea, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostra que o setor faturou US$ 169 bilhões no ano passado, alta de 3% em relação a 2024.

Segundo o Cepea, o avanço foi sustentado principalmente pelo aumento de 3,4% no volume exportado, já que o preço médio anual recuou 0,4%.

Entre os produtos que registraram crescimento nos volumes embarcados em 2025 estão carnes bovina e suína, celulose, soja em grão, algodão e milho. No caso dos preços, os avanços foram observados nas carnes bovina e suína, no etanol, no café e no óleo de soja.

China, União Europeia e Estados Unidos seguiram como os principais destinos do agronegócio brasileiro. As exportações para a China continuaram fortemente concentradas no complexo soja, enquanto os embarques para a União Europeia tiveram maior peso de produtos florestais, café, frutas e suco de laranja. Já os Estados Unidos mantiveram relevância sobretudo para madeira, suco de laranja, etanol, café, frutas, celulose e carne bovina.

Os dados de parceiros comerciais do DataLiner, plataforma da inteligência de dados da Datamar, mostram a China como principal destino das exportações conteinerizadas do Brasil, com 40.275 TEUs, alta de 4%, enquanto os Estados Unidos aparecem em segundo, com 20.885 TEUs, mas com queda de 34%.

Segunda a Datamar, as principais exportações do Brasil para a China, em janeiro de 2026, incluíram carne bovina congelada (7.780 TEUs, alta de 4,8%), algodão (7.043 TEUs, alta de 79,5%) e celulose química de madeira (6.954 TEUs, alta de 47%).

O gráfico abaixo utiliza informações extraídas do DataLiner para comprar o volume de contêineres exportados para os dois principais parceiros comerciais do Brasil desde janeiro de 2023:

Exportações para EUA e China | Jan 2023 –  Jan 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

Apesar do desempenho recorde em 2025, o início de 2026 é cercado por incertezas para o setor. Enquanto produtores do Hemisfério Sul concluem a colheita da safra de verão e avançam no plantio do novo ciclo, agentes do mercado também acompanham os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a logística global e os custos de insumos.

Segundo o Cepea, a escalada das tensões já tem provocado alta nos preços do petróleo e dificultado operações logísticas. O fechamento do Estreito de Ormuz é apontado como um dos principais focos de preocupação, por se tratar de uma rota estratégica para o comércio internacional de energia e fertilizantes. De acordo com o centro de estudos, cerca de 30% dos fertilizantes comercializados globalmente, especialmente nitrogenados, passam pela região.

Nesse cenário, empresas brasileiras do setor de fertilizantes vêm se mantendo afastadas do mercado e evitando divulgar preços enquanto aguardam maior clareza sobre os desdobramentos do conflito, segundo o Cepea.

O Irã, por sua vez, ganhou peso nas compras de milho brasileiro ao longo de 2025. Dados da Secex mostram que o país foi o principal destino do cereal no ano passado, com 9 milhões de toneladas importadas, quase o dobro do volume registrado em 2024, de 4,33 milhões de toneladas. Ainda assim, como os embarques brasileiros de milho costumam ganhar força no segundo semestre, o mercado monitora por enquanto os possíveis reflexos para os próximos meses.

No caso da carne de frango, o Oriente Médio permanece como uma região estratégica para o Brasil. Em 2025, o bloco respondeu por quase 25% dos embarques brasileiros da proteína. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita ocuparam, respectivamente, a primeira e a terceira posições entre os principais destinos da carne de frango brasileira.

Juntos, os dois países receberam mais de 877 mil toneladas em 2025, o equivalente a mais de 12,6% de todo o volume exportado pelo Brasil, segundo os dados compilados pelo Cepea.

Fonte: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)

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Economia da Argentina cresce 4,4% em 2025 https://datamarnews.com/pt/noticias/economia-da-argentina-cresce-44-em-2025/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=economia-da-argentina-cresce-44-em-2025 https://datamarnews.com/pt/noticias/economia-da-argentina-cresce-44-em-2025/#respond Mon, 23 Mar 2026 20:23:19 +0000 https://datamarnews.com/?post_type=noticias&p=68628 A economia da Argentina cresceu 4,40% em 2025 em comparação com o ano anterior, informou na sexta-feira o instituto de estatísticas do país, o INDEC, ligeiramente abaixo da estimativa de 4,45% dos analistas.

O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina avançou 2,1% no período de outubro a dezembro em relação ao mesmo período de 2024, também um pouco abaixo da projeção de 2,2% dos analistas e inferior aos 2,6% registrados um ano antes.

O PIB da terceira maior economia da América Latina também cresceu 0,6% em relação ao trimestre anterior, em termos ajustados sazonalmente, informou o órgão.

Os dados marcam o segundo trimestre consecutivo de crescimento na comparação trimestral e o quinto de expansão na comparação anual.

Em 2024, o PIB anual recuou 1,3% no geral, segundo dados do INDEC.

Ao longo de 2025, os setores de agricultura e pecuária, mineração e extração, e serviços financeiros lideraram o crescimento, destacou o INDEC, enquanto administração pública, serviços sociais e de saúde, setores domésticos e pesca registraram queda na produção.

A indústria desacelerou em 2024, à medida que as duras medidas de austeridade implementadas pelo presidente libertário Javier Milei para combater a inflação impactaram as empresas, mas a produção se recuperou no fim daquele ano e manteve trajetória positiva ao longo de 2025.

Economistas esperam que o PIB da Argentina volte a crescer em 2026. Uma pesquisa recente do banco central do país mostrou que analistas projetam, em média, expansão de 3,4% neste ano.

Dados compilados e processados pela Datamar no seu produto chefe, o DataLiner, mostram que as exportações de cargas em contêineres cresceram 31,4% em janeiro de 2016, comparado ao mesmo período do ano anterior. As importações, por outro lado, tiveram uma queda de 8,5% ano-a-ano. Confira a seguir uma visão geral das importações e exportações de contêineres registradas em portos da Argentina, segundo DataLiner:

Exportação e Importação de Contêineres | Argentina | Jan 2023 – Jan 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Reportagem adaptada de Hernan Nessi e Sarah Morland para a Reuters

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Setor privado cobra medidas do governo diante da crise logística causada pela guerra https://datamarnews.com/pt/noticias/setor-privado-cobra-medidas-do-governo-diante-da-crise-logistica-causada-pela-guerra/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=setor-privado-cobra-medidas-do-governo-diante-da-crise-logistica-causada-pela-guerra https://datamarnews.com/pt/noticias/setor-privado-cobra-medidas-do-governo-diante-da-crise-logistica-causada-pela-guerra/#respond Fri, 20 Mar 2026 20:57:47 +0000 https://datamarnews.com/?post_type=noticias&p=68586 A escalada da guerra no Oriente Médio levou alguns dos principais setores do país a pedir medidas emergenciais do governo para conter os impactos econômicos e logísticos que já geram problemas em diferentes cadeias.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi procurado nesta semana pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) para detalhar os impactos nos setores e apresentar uma lista de pedidos. As demandas envolvem desde a redução de tributos sobre o frete marítimo até a criação de linhas de crédito para apoiar as exportações e evitar aumento de custo na produção de alimentos.

Na semana passada, as companhias aéreas já tinham procurado o governo para tratar do impacto tributário sobre o QAV, como é chamado o querosene de aviação. A sinalização é de que o QAV poderia ser alvo de medidas semelhantes às adotadas para o diesel, como redução de PIS e Cofins, além de eventuais subsídios.

O principal pedido da CNA é que o governo ofereça um desconto de 100% nas alíquotas de um tributo que incide sobre o transporte aquaviário de cargas, o chamado AFRMM (Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante).

Atualmente, essa cobrança chega a 8% na maior parte das operações, mas pode alcançar até 40% em casos específicos. Na prática, o AFRMM representa um custo adicional embutido no frete marítimo, que encarece especialmente a importação de insumos agrícolas.

“A medida proposta reveste-se de caráter emergencial e estratégico, sendo fundamental para mitigar os efeitos de choques externos sobre a economia brasileira, em especial em um setor responsável por parcela significativa do PIB, das exportações e da geração de emprego e renda”, afirma o presidente da CNA, João Martins da Silva Junior, em ofício enviado diretamente a Haddad.

A cobrança do AFRMM tem impacto direto sobre a entrada de fertilizantes no país, um insumo essencial para a produção agropecuária e do qual o Brasil depende majoritariamente do exterior, com cerca de 85% de importação.

Com a guerra, os preços desses produtos já começaram a subir. A ureia, um dos principais fertilizantes nitrogenados, registrou aumento de cerca de 35% desde o início do conflito, segundo a CNA. Esse encarecimento eleva o custo da produção agrícola, que tende a ser repassado ao preço dos alimentos.

Já a ABPA lista um conjunto de propostas de apoio financeiro a empresas exportadoras. A associação afirma que a instabilidade na região tem afetado rotas marítimas estratégicas, particularmente no estreito de Horrmuz e no Canal de Suez, dois dos corredores logísticos mais importantes para o comércio global de alimentos.

Por isso, armadores internacionais passaram a adotar medidas preventivas de segurança, incluindo a reorganização de rotas marítimas e ajustes operacionais. Isso significa elevação de custos com frete, seguros e operações logísticas.

“Estima-se que essas alterações possam aumentar o tempo de viagem entre dez e 15 dias, além de elevar custos operacionais relacionados a frete, seguros, sobretaxas de risco e gestão de contêineres refrigerados”, afirma Ricardo Santin, presidente da APBA, em carta enviada a Haddad.

A associação pede a criação ou ampliação de linhas de crédito emergenciais para capital de giro, além do alongamento de prazos e flexibilização de financiamentos.

A ABPA lembra que o problema é conjuntural, decorrente de fatores geopolíticos externos, e defende uma resposta emergencial do governo para sustentar a operação do setor.

Já a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) declarou que “observa com muita preocupação” a volatilidade do preço do barril do petróleo devido aos conflitos internacionais. “Com cerca de 30% de participação nos custos das companhias aéreas, o combustível de aviação (QAV) tem papel central na economia do setor. Com isso, oscilações no preço do petróleo tendem a pressionar os custos operacionais, reduzindo a oferta de serviços e prejudicando o acesso da população ao transporte aéreo”, afirmou.

A situação do QAV é menos grave que a do diesel comum, porém, porque 80% do querosene é produzido internamente. “O Brasil reúne as condições para amortecer os impactos dos choques externos sobre o setor aéreo. Nesse sentido, a Abear tem mantido diálogo com o governo federal sobre os efeitos da escalada do petróleo nos investimentos das companhias, na democratização do transporte aéreo e na conectividade do país.”

Questionado pela reportagem, o Ministério da Fazenda declarou que “acompanha de forma permanente a evolução do cenário internacional, incluindo os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus potenciais impactos” sobre a economia brasileira.

“A pasta mantém monitoramento contínuo de variáveis relevantes, a fim de avaliar eventuais efeitos sobre o Brasil. Sendo assim, ressalta que eventuais medidas serão analisadas com responsabilidade, à luz das evidências, e sempre em conformidade com os marcos fiscais vigentes”, afirmou.

O Oriente Médio responde por mais de 25% das exportações brasileiras de carne de frango, ovos e outros produtos avícolas, proteínas que têm o Brasil como um dos líderes globais.

Confira a seguir um compilado de dados históricos das exportações mensais de carne de frango, embarcadas em contêineres, do Brasil à Arábia Saudita, entre janeiro 2023 e janeiro 2016:

Exportações de Frango para Arábia Saudita | Brasil | Jan 2022 – Jan 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

O atraso no transporte reflete em mais tempo entre produzir, embarcar, entregar e receber o pagamento pela exportação. Esse intervalo acaba exigindo mais recursos financeiros para manter as operações, um problema que afeta ainda mais as pequenas e médias empresas, por terem menor acesso a crédito e capacidade de absorver choques externos.

O Ministério da Fazenda propôs aos estados a isenção de ICMS sobre a importação de diesel, mediante uma compensação federal que cobriria 50% do impacto da medida. O custo é estimado em R$ 3 bilhões para a União e no mesmo valor para os estados, considerando dois meses de duração da medida.

A isenção iria até 31 de maio, com o objetivo de reduzir barreiras e garantir o abastecimento do mercado interno, diante de relatos de alguns estados sobre falta de diesel nos postos. Por isso, a ação seria direcionada apenas para os importadores do combustível.

A proposta foi levada pelo secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, aos secretários de Fazenda dos estados em reunião na manhã de quarta-feira (18). O encontro foi virtual e ocorreu após convocação do governo federal, como antecipou a Folha.

Os preços do petróleo dispararam nesta quinta-feira (19), com o Brent, referência do mercado, atingindo seu maior nível em mais de uma semana, ultrapassando os US$ 119 por barril, depois que o Irã atacou instalações energéticas em todo o Oriente Médio, em resposta à ofensiva de Israel contra seu campo de gás de South Pars.

O preço do GNL (gás natural liquefeito) também disparou nesta quinta, com alta de 35% nos contratos negociados na Europa.

Texto de André Borges e Ricardo Della Coletta para a Folha de S. Paulo

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